terça-feira, 12 de agosto de 2014

Carta as mães

Minha irmã, se Deus te deu.
Mary Cassatt - Young Mother Sewing
A luz da maternidade,
Deu-te a tarefa divina
Da renúncia e da bondade.

Busca imitar no caminho
A Rosa de Nazaré,
Irradiando o perfume
De amor, de humildade e fé.

Lembra sempre em tua estrada,
Que a paz de tua missão
É feita dessa ternura
Que nasce do coração.

Contempla em cada filhinho
Um luminoso sorriso
Da alegria dolorosa
Que te leva ao paraíso.

Porque, ser mãe, minha irmã,
É ser prazer sobre as dores,
É ser luz, embora a estrada.
Tenha sombras e amargores.

Ser mãe é ser a energia
Que domina os escarcéus,
É ser nas mágoas da Terra
Um sacrifício dos céus.

Pensa nisso e não duvides
Da grande misericórdia,
Que te deu na senda escura
A lâmpada da concórdia.

Ouve ainda. Tem cuidado
Com o teu próprio coração.
Não deixes que se transforme
O teu amor em paixão.

Muita vez, a mãe terrestre.
Em vez de salvar, condena,
Porque do amor que redime
Faz a paixão que envenena.

Há muitas mães nos Espaços
Chorando na desventura,
Os perigosos desvios
De sua imensa ternura.

Ama o filho de outra mãe
Qual se fora teu também,
E estarás santificado
Teu lar nas luzes do Bem.

Castiga amando o teu filho
Em teu carinho profundo.
Prefere o teu próprio ensino
Às tristes lições do mundo.

Recorda que está contigo
A missão de renovar,
De corrigir perdoando,
De esclarecer e ensinar.

Nos teus exemplos repousa
A esperança do Senhor,
Que há de salvar este mundo
Por meio de teu amor.

Livro: Mãe - Chico Xavier -  poesia de Casimiro Cunha

O papel da mãe

Que deve fazer a mãe terrestre para cumprir evangelicamente os seus deveres,
conduzindo os filhos para o bem e para a verdade?


No ambiente doméstico, o coração maternal deve ser o expoente divino de toda a compreensão espiritual e de todos os sacrifícios pela paz da família.

Dentro dessa esfera de trabalho, na mais santificada tarefa de renúncia pessoal, a mulher cristã acende a verdadeira luz para o caminho dos filhos através da
vida.

A missão materna resume-se em dar sempre o amor de Deus, o Pai de Infinita
Bondade, que pôs no coração das mães a sagrada essência da vida. Nos labores
do mundo, existem aquelas que se deixam levar pelo egoísmo do ambiente
particularista; contudo, é preciso acordar a tempo, de modo a não viciar a fonte
da ternura.

A mãe terrestre deve compreender antes de tudo, que seus filhos,
primeiramente, são filhos de Deus.

Desde a infância, deve prepara-los para o trabalho e para a luta que os
esperam.

Desde os primeiros anos, deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade,
controlando-lhe as atitudes e concentrando-lhe as posições mentais, pois que
essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida.

Deve sentir os filhos de outras mães como se fossem os seus próprios, sem
guardar, de modo algum, a falsa compreensão de que os seus são melhores e
mais altamente aquinhoados que os das outras.

Ensinará a tolerância mais pura, mas não desdenhará a energia quando seja
necessária no processo da educação, reconhecida a heterogeneidade das
tendências e a diversidade dos temperamentos.

Sacrificar-se de todos os modos ao seu alcance, sem quebrar o padrão de
grandeza espiritual de sua tarefa, pela paz dos filhos, ensinando-lhes que toda
dor é respeitável, que todo trabalho edificante é divino, e que todo desperdício
é falta grave.

Ensinar-lhes-á o respeito pelo infortúnio alheio, para que sejam igualmente
amparados no mundo, na hora de amargura que os espera, comum a todos os
espíritos encarnados.

Nos problemas da dor e do trabalho, da provação e da experiência, não deve
dar razão a qualquer queixa dos filhos, sem exame desapaixonado e meticuloso
das questões, levantando-lhes os sentimentos para Deus, sem permitir que
estacionem na futilidade ou nos prejuízos morais das situações transitórias do
mundo.

Será ele no lar o bom conselho sem parcialidade, o estímulo do trabalho e a
fonte de harmonia para todos.

Buscará na piedosa Mãe de Jesus o símbolo das virtudes cristãs, transmitindo
aos que a cercam os dons sublimes da humildade e da perseverança, sem
qualquer preocupação pelas gloriosas efêmeras da vida material.

Cumprindo esse programa de esforço evangélico, na hipótese de fracassarem
todas as suas dedicações e renúncias, compete às mães incompreendidas
entregar o fruto de seu labores a Deus, prescindindo de qualquer julgamento do
mundo, pois que o Pai de Misericórdia saberá apreciar os seus sacrifícios e
abençoarão as suas penas, no instituto sagrado da vida familiar.

O Consolador- Emmanuel-Chico Xavier - questao 189